Por Alessandra Buarque de Araújo Silva[1]
Em 12.07.2021
Artigo publicado em matéria no jornal eletrônico DM Digital de Goiânia-GO em 16.07.2021.
O dia
amanhece...
Despertar e não mais encontrar
o ente querido fisicamente presente.
A rotina automatizou os seres.
O entardecer toma lugar nos corações humanos. A noite cai, o sono não chega; a
solidão se faz ausência e milhares choram seus mortos no Brasil da pandemia...
Essa passou a ser a dura
rotina de milhares de brasileiros e brasileiras no cenário pandêmico que teve
início, mais precisamente, em março de 2020, no Brasil. Estivemos na dianteira
dos países Europeus, da China, por, pelo menos, 90 dias, antes da pandemia
instalar-se em nosso país; mas, medidas sanitárias não foram adotadas em tempo
hábil, pelo governo brasileiro, quando os impactos da pior crise sanitária da
nossa história poderiam ter sido minimizados.
Ainda contamos
os mortos pela pandemia da covid-19, os amores de cada um. A pandemia
recrudesceu em 2021, quando pensamos que já havíamos passado pelo pior. E
assistimos, perplexos, que o orçamento previsto para as políticas de saúde em
2021[2] (R$
125,8 bilhões) retorna ao patamar pré-pandemia, com os valores próximos aos
registrados em 2019, quando não havia pandemia (R$ 122,2 bilhões). É
assustador. Apesar do aumento da necessidade de atendimento das pessoas, uma
consequência da alta do contágio em 2021, há uma previsão de queda de R$ 35
bilhões nas despesas em saúde. É como se a pandemia houvesse acabado, no
Brasil.
Pessoas não são
números, mas, no cenário do Brasil pandêmico, estão sendo tratadas, apenas,
como estatísticas e, nem assim, confiáveis; porque as subnotificações não nos
permitem conhecer a realidade das dores que se tornaram rotina. É nesse
contexto que emergem, às nossas vistas, com mais profundo pesar, as
desigualdades sociais, as injustiças, a fome, a pobreza, a miséria, o
desemprego estrutural, a ausência de teto e de pão... Nos deparamos, muito de
perto, com os invisíveis ao sistema. Cientes dessas condições subumanas, das
mazelas pelas quais passam o nosso povo, do sofrimento diário que a pandemia
veio agravar, precisamos voltar o nosso olhar para as microrresistências que nos
permitem acreditar em luzes no final do túnel, em locus de amparo e
conforto, lutas e debates, educação e cidadania e, sobretudo, oportunidades e
possibilidades de encontros para o progresso humano, a partir da vivência do
amor, em sua essência.
A ABREPAZ[3] é uma
dessas microrresistências e que nos representa nas lutas cotidianas. São
experiências que, juntadas a outras e mais outras, podem auxiliar-nos a
engrossar o coro da resistência ao desmonte dos direitos que nos fazem humanos,
nos garantem a vida e a dignidade, na perspectiva de uma cultura de paz e
não-violência.
Fundada em
10.12.2018, , na cidade de Goiânia-GO, quando é celebrado o Dia Mundial dos
Direitos Humanos, por um grupo de espíritas que, em seu exercício de cidadania,
reuniram-se para trabalhar os Direitos Humanos, a Cultura de Paz e a
Não-Violência, tanto no movimento espírita quanto na sociedade em geral. Surgiu
com a finalidade
de estudar, divulgar e promover os Direitos
Humanos, Cultura de Paz e Não-Violência alinhados ao Espiritismo, sob a
perspectiva de um conjunto de princípios estabelecidos e desenvolvidos a partir
da codificação de Allan Kardec; fundados nos princípios da democracia,
transparência, pluralismo de ideias, inclusividade, diversidade e
não-violência.
A
cultura de paz pede, preliminarmente, comida no prato, terra, teto e trabalho. A
comunicação não-violenta não pode prescindir de uma educação em direitos
humanos, libertadora, que promova a emancipação dos seres, em busca da
igualdade de condições de vida digna.
Essa
somos nós, a ABREPAZ e estamos convidando você a nos conhecer, estreitar laços
e formar parcerias em busca da transformação para uma nova sociedade, justa,
digna e fraterna.
[1] Voluntária da ABREPAZ em
Maceió-Alagoas, Brasil. Mestre em Políticas Sociais e Cidadania. Especialista
em Previdência Social.
[2] https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/03/20/orcamento-da-saude-retorna-ao-patamar-pre-pandemia-estados-e-municipios-pedem-mais-recursos.ghtml
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